Vida Após a Morte: Globo Repórter Visita a Conscienciologia

novembro 30, 2013

Por Tony D’Andrea

A Conscienciologia foi tema do Globo Repórter desta sexta-feira (29 de novembro, 2013). Em dez minutos, a reportagem conduzida pela jornalista Dulcinéia Novaes é, no geral, muito boa. A única falha notável reside na longa introdução com tiradas filosóficas sobre medos e anseios da morte em meio a imagens de cemitérios e igrejas (“Há vida após a morte?”). Mas depois, a reportagem engrena bem proporcionando uma visão sumária da comunidade de conscienciólogos em Foz do Iguaçu, Paraná.

Como ponte à Conscienciologia propriamente dita, o depoimento de um engenheiro carioca tornado psicólogo e conscienciólogo proporciona uma narrativa típica de conversão: profissional materialista perde a esposa, e após um longo período de luto e depressão, conhece a Conscienciologia, resultando em respostas gratificantes e melhoria significativa na qualidade de vida.

A jornalista se posiciona neutralmente, sem criticar nem bajular o grupo. “Segundo os seguidores” é sentença que usa com frequência. Além de apresentar a infraestrutura e o funcionamento da comunidade ao derredor do Centro de Altos Estudos da Conscienciologia, eu noto aqui três pontos interessantes na reportagem:

1- “Novas palavras“: o crescente corpo terminológico gerado por Waldo Vieira chama a atenção da jornalista. É preocupante que esta excessiva lexicografia esteja tornando mais complicada a introdução de novas pessoas. A primeira vítima nesta ambição foi mesmo a Projeciologia, paraciência original de Vieira sumamente descartada, enfraquecendo-se assim o potencial empírico diferenciador da prática projetiva como instrumento para investigar o mundo extrafísico.

2- “Dogmas do espiritismo”: os vínculos históricos e ideológicos do Waldo Vieira com o espiritismo é outro ponto paradoxal aptamente notado pela jornalista. Ela nota que, apesar do Waldo Vieira afirmar que rompeu com Chico Xavier devido aos “dogmas” kardecistas, a Conscienciologia é fundamentalmente similar ao Espiritismo: reencarnação, carma e comunicação.

3- “Neozelandês”:  ao perguntar se a Conscienciologia ajuda seus seguidores, a jornalista entrevista um dos poucos estrangeiros na comunidade: um ex-executivo que se mudou da Austrália para o Brasil. O ponto do internacionalismo é ponto delicado nesta paraciência: se o fenômeno é universal, por que a maioria absoluta dos conscienciólogos são brasileiros?…

Veja a reportagem, e deixe o seu comentário. Lembre-se de subscrever o blog (ao topo na direita):